Maira Begalli: Simplificando a ciência

Rio de Janeiro - A ativista de projetos de rede em laboratórios, Maira Begalli, no evento Laboratório Ibero-americano de Inovação Cidadã que acontece no Rio (Tomaz Silva/Agência Brasil)

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Quem conhece Maira Begalli superficialmente pode achar que ela é mais uma garota de classe média alta, criada em um chácara em Riacho Grande, região metropolitana de São Paulo, repleta de privilégios. Mas quem tem a oportunidade de se aprofundar em sua história sabe que Maira é uma pessoa que luta pela vida e que não cansa de buscar conhecimento para multiplicá-lo.

Maira se diz vinda de uma família de sobreviventes. Sua mãe vem de uma família rica de italianos que vieram ao Brasil fugindo da fome e da guerra. Seu pai é descendente de portugueses e espanhóis pobres, que também embarcaram no Brasil fugidos. E Maira é o resultado de um relacionamento entre essa mulher rica que engravidou de um feirante. Aos 5 anos Maira viu seu pai ir embora, sua mãe começar a trabalhar e ela ser criada pelos avós em uma casa que ela define como “um lugar onde não se sabia o que era crise”.

Mas foi nesse mesmo lugar, a chácara em Riacho Grande, que Maira cresceu em meio a natureza. “O que falam em estudos sobre biodiversidade era o que eu via no quintal da minha casa”. Entre as suas lembranças de infância está o seu avô, que viajava muito a trabalho e sempre lhe trazia na bagagem de volta os vídeos da National Geographic. Quando criança o sonho de Maira era ser videomaker dessa publicação.

O cenário perfeito dessa criança começou a desmoronar quando o seu avô faleceu. Maira define que passou a viver em “ambientes artificiais”, com relações rasas que contribuíram para que aos 14 anos ela fosse diagnosticada com anorexia nervosa. “Eu quase morri algumas vezes”, conta. Por isso ela credita a sua recuperação ao curso de Gestão Ambiental. Foi na faculdade onde ela começou a conhecer novas pessoas, projetos e a se reconectar com aquela Maira que explorava a natureza no quintal de sua casa.

Da graduação Maira não saiu mais das cadeiras das Universidades. Sempre fazendo a ponte entre a academia e o mundo aqui fora. Eclética, ela estuda de ecologia humana à jornalismo e medita muito para sempre se reencontrar consigo mesma. De tudo o que estuda Maira tem uma grande certeza: “Tudo está conectado! E nós humanos somos só mais uma espécie, cheia de fragilidades, bichos nessa selva tão grande”.

E olhando para o mundo dessa maneira e participando de um grupo de pesquisas na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) sobre a teoria do Declínio Próspero ela ressalta que: “Está tudo errado! E isso traz pânico para muita gente. Mas eu consigo ficar calma e o que quero é ajudar as pessoas a entenderem o que está acontecendo no mundo e fazerem as suas micro mudanças”.

Por isso, Maira acaba de criar um blog para simplificar a maneira como se comunica a ciência. Sem vínculo com qualquer organização, ela se define ecóloga, ativista e pesquisadora e quer mostrar que a ciência não é tão aterrorizante. “Eu vejo essas meninas blogueiras que falam de maquiagem e tem milhões de visualizações. Os cientistas, nada! Eu quero desmistificar isso e falar de uma forma mais clara sobre assuntos como mudanças climáticas, por exemplo”. Para isso Maira segue estudando, lendo, observando, escutando as pessoas por todos os cantos onde passa para, então, começar a contar as suas histórias. “Toda vez que você ouve uma história, muda alguma coisa dentro de você. Eu quero ajudar com isso,  quero ajudar a construir um futuro em que a gente sofra menos”.

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